terça-feira, 03/02/2026
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Armazenamento a vácuo em contêiner quer destravar exportações globais de frutas frescas

Startup desenvolve câmara de baixa pressão em escala comercial para reduzir custos logísticos e ampliar acesso a mercados distantes

 

A RipeLocker, conhecida por suas câmaras de armazenamento a vácuo do tamanho de tambores, está avançando para uma nova fronteira: um sistema de baixa pressão no formato de contêiner refrigerado. A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: permitir que frutas e outros produtos perecíveis viajem longas distâncias por via marítima, mantendo qualidade e vida útil, sem a complexidade operacional dos modelos atuais.

A empresa, sediada em Seattle, construiu sua reputação com unidades reutilizáveis que criam um ambiente de baixíssimo oxigênio para produtos como mirtilos, abacates, flores e lúpulo. Diferentemente das soluções tradicionais de atmosfera modificada ou controlada, que injetam nitrogênio em embalagens seladas, a tecnologia da RipeLocker remove o ar, monitora continuamente as condições internas e ajusta dinamicamente os níveis de O₂ e CO₂.

Esse sistema já demonstrou forte desempenho em armazenagem estacionária, ajudando produtores e distribuidores a estender janelas de venda e capturar preços mais altos. O desafio sempre foi o transporte.

Armazenamento a vácuo em contêiner quer destravar exportações globais de frutas frescas

Do tambor ao contêiner

Embora os tambores funcionem durante o transporte, o modelo atual traz dois entraves: a necessidade de transferir manualmente os produtos para cada unidade e a perda significativa de capacidade de carga. Um contêiner preenchido com tambores RipeLocker comporta apenas cerca de 10 a 11 toneladas de fruta, contra 18 a 20 toneladas em um contêiner paletizado convencional.

A nova aposta é o “RipeReefer”, um protótipo de 6 metros já testado com mirtilos e kiwis. O objetivo comercial, no entanto, é um contêiner de 12 metros. A meta é chegar a 18 pallets (cerca de 18 toneladas) reduzindo a perda de capacidade para algo próximo de 10%, com a ambição de eliminá-la quase por completo após ajustes de engenharia.

Parte do trabalho agora envolve substituir componentes de aço por alumínio para reduzir peso e redesenhar o sistema de refrigeração para operar em ambiente de vácuo. Como a refrigeração convencional depende do fluxo de ar, a empresa precisou desenvolver uma arquitetura em que o sistema de frio funcione mesmo na ausência dele.

Resolver custo e complexidade

Segundo a empresa, a tecnologia já provou gerar valor, mas precisava se tornar mais simples de integrar às operações logísticas e economicamente viável no transporte marítimo. O novo formato busca justamente atacar esses dois pontos: menos manuseio, mais capacidade por contêiner e menor custo por quilo transportado.

Para escalar, a RipeLocker negocia com armadores, empresas de logística e fabricantes de contêineres refrigerados. A estratégia não é fabricar e alugar os equipamentos diretamente, mas licenciar a tecnologia para players já estabelecidos, que operariam os contêineres sob modelo semelhante ao dos atuais sistemas de atmosfera controlada.

 

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Um dos principais diferenciais apontados é a resiliência operacional. Em contêineres de atmosfera controlada, a vedação é crítica: se o lacre for rompido — por exemplo, em uma inspeção alfandegária — não há como restaurar facilmente as condições internas no porto.

No sistema de baixa pressão, o contêiner pode ser aberto, fechado novamente e o ar removido outra vez, restabelecendo o ambiente ideal. Além disso, a empresa afirma ter obtido resultados superiores em testes comparativos de extensão de vida útil em relação a soluções de atmosfera modificada e controlada.

Comércio global de frutas

O impacto potencial é especialmente relevante para exportadores da América Latina que buscam mercados distantes como Índia, Coreia do Sul e Taiwan. Hoje, muitos dependem do frete aéreo — que pode custar entre US$ 3 e US$ 4 por quilo — para garantir qualidade. O transporte marítimo, por outro lado, gira em torno de US$ 0,50 por quilo.

Ao estender drasticamente a vida útil, a tecnologia abre a possibilidade de migrar parte desse volume para navios, reduzindo custos e ampliando margens. Há também ganhos estratégicos: poder segurar a carga por algumas semanas quando o mercado está saturado e liberar o produto quando os preços se recuperam, além de garantir padrão premium de qualidade para marcas e variedades de alto valor.

A empresa também enxerga oportunidades no transporte terrestre de frutas altamente perecíveis, como morangos e framboesas, em rotas longas dentro dos Estados Unidos ou entre o México e o mercado americano.

Próximos passos

A meta é iniciar testes com clientes até o fim deste ano ou início do próximo, com expectativa otimista de uso comercial já no ano seguinte. Até agora, a RipeLocker operou com capital anjo e vê nas parcerias industriais um passo-chave antes de buscar investimento institucional.

Se a escala em contêiner entregar o que promete, a baixa pressão pode deixar de ser uma solução de nicho e se tornar uma nova infraestrutura para o comércio global de perecíveis.

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