segunda-feira, 23/02/2026
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Azeite pode melhorar cognição ao modular microbiota intestinal, aponta estudo

Pesquisa com 656 adultos indica que consumo de azeite extravirgem está associado a maior diversidade bacteriana e melhor desempenho em testes de memória

 

O consumo de azeite de oliva virgem pode estar associado a melhora da função cognitiva por meio da modulação da microbiota intestinal, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Universitat Rovira i Virgili, na Espanha. Os resultados foram publicados na revista Microbiome.

A pesquisa, descrita como o primeiro estudo prospectivo em humanos a avaliar especificamente a interação entre azeite, microbiota intestinal e cognição, acompanhou 656 pessoas com sobrepeso ou obesidade, entre 55 e 75 anos, todas com síndrome metabólica — conjunto de fatores de risco associado a maior probabilidade de doenças cardiovasculares.

Os participantes foram avaliados no início do estudo e após dois anos, período em que realizaram testes cognitivos envolvendo memória, linguagem e raciocínio, além de análises da composição da microbiota intestinal a partir de amostras fecais. Os pesquisadores também monitoraram o consumo de diferentes tipos de azeite, distinguindo entre azeite virgem (incluindo extravirgem) e azeite refinado.

Segundo os resultados, indivíduos que consumiram azeite virgem apresentaram maior diversidade da microbiota intestinal ao longo do tempo — indicador associado a melhor saúde metabólica — além de desempenho superior nos testes cognitivos. A abundância do gênero bacteriano Adlercreutzia foi significativamente maior nesse grupo e esteve associada a cerca de metade da melhora observada em memória e raciocínio.

 

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Em contraste, o consumo de azeite refinado foi associado a menor diversidade microbiana e a uma relação negativa com os indicadores de saúde cognitiva.

“Este é o primeiro estudo prospectivo em humanos a analisar especificamente o papel do azeite na interação entre microbiota intestinal e função cognitiva”, afirmou a primeira autora Jiaqi Ni, pesquisadora do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia da universidade espanhola.

De acordo com os autores, a diferença entre os tipos de azeite pode estar relacionada ao processamento. O azeite refinado passa por etapas industriais que reduzem a presença de polifenóis, antioxidantes naturais e outros compostos bioativos. Já o azeite virgem é obtido por processos mecânicos que preservam esses componentes, potencialmente responsáveis pelos efeitos observados.

Para o pesquisador Jordi Salas-Salvadó, investigador principal do estudo, os resultados reforçam a importância da qualidade da gordura consumida. Segundo ele, priorizar azeite extravirgem pode representar estratégia nutricional relevante para preservar a saúde cerebral no envelhecimento.

As pesquisadoras Nancy Babio e Stephanie Nishi, codiretoras do estudo, destacaram que os achados ganham relevância diante do aumento global de casos de declínio cognitivo e demência. Para a equipe, os dados sugerem que ajustes na qualidade da dieta podem representar medida simples e acessível para apoiar a saúde cerebral a longo prazo.

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