quinta-feira, 19/02/2026
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Compostos vegetais amplia efeito anti-inflamatório em até 699 vezes, diz estudo

Pesquisa japonesa mostra que capsaicina associada a mentol ou eucaliptol potencializa resposta biológica mesmo em baixas doses

 

 

Pesquisadores da Universidade de Ciências de Tóquio identificaram que combinações específicas de compostos vegetais podem potencializar significativamente efeitos anti-inflamatórios. O estudo revelou que a capsaicina — principal composto bioativo da pimenta responsável pela sensação de ardor — apresentou o efeito isolado mais potente, mas seu impacto foi multiplicado quando combinada com mentol ou 1,8-cineol (eucaliptol).

De acordo com os resultados, publicados na revista Nutrients, a associação de capsaicina com mentol reduziu a concentração necessária para efeito anti-inflamatório em até 699 vezes. Já a combinação com 1,8-cineol diminuiu essa concentração em 154 vezes.

A inflamação crônica é considerada fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, artrite e câncer. Embora diversos fitoquímicos presentes em especiarias e plantas aromáticas já tenham demonstrado ação anti-inflamatória, muitos exigem concentrações superiores às normalmente consumidas na dieta, o que gerava dúvidas sobre sua efetividade prática.

Segundo o pesquisador Gen-ichiro Arimura, responsável pelo estudo, o diferencial está na interação entre diferentes vias celulares. “Demonstramos que esse efeito sinérgico não é coincidência, mas resultado da ativação simultânea de múltiplas vias de sinalização intracelular”, afirmou.

 

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O mecanismo identificado indica que mentol e 1,8-cineol atuam por meio de canais TRP (receptores de potencial transitório) e da sinalização de cálcio, enquanto a capsaicina parece suprimir a inflamação por uma via distinta, independente dos TRP. Essa atuação complementar explicaria o ganho exponencial de eficácia quando os compostos são combinados.

Para investigar os efeitos, os cientistas utilizaram análise de expressão gênica, medições de proteínas inflamatórias e imagens de cálcio intracelular, avaliando como os compostos afetavam biomarcadores ligados à resposta imune.

Os resultados sugerem que a sinergia entre fitoquímicos pode explicar por que dietas ricas em vegetais apresentam benefícios à saúde mesmo quando os compostos bioativos são consumidos em baixas quantidades. Em vez de depender de um único ingrediente funcional, os efeitos podem emergir da interação entre múltiplos componentes alimentares.

Para os autores, as descobertas abrem caminho para o desenvolvimento de alimentos funcionais, suplementos e formulações que explorem combinações estratégicas de compostos vegetais, potencializando a eficácia anti-inflamatória sem necessidade de altas doses individuais.

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