Produto desenvolvido pela Vinnori aposta na biodiversidade brasileira para oferecer uma solução vegetal, sustentável e de baixo custo para culinárias oriental e havaiana
Temakis, sushis e pokes podem ganhar um ingrediente novo — e com DNA brasileiro. A startup maranhense Vinnori desenvolveu o Plantfilme, um filme comestível totalmente vegetal, produzido à base de vinagreira, planta típica do Maranhão e da Amazônia Legal. A proposta é clara: entregar uma alternativa mais sustentável, acessível e versátil ao tradicional nori, alga importada amplamente utilizada na culinária oriental.
Segundo a cofundadora da empresa, Tatiana Lemos, professora do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o desenvolvimento do Plantfilme também responde a uma questão estratégica: reduzir a dependência de importações, substituindo um insumo estrangeiro por uma solução produzida a partir de um ingrediente disponível nas culturas brasileiras.
A inovação se posiciona dentro de uma tendência global: o avanço de ingredientes funcionais, naturais e de baixo impacto ambiental aplicados à gastronomia — especialmente em cozinhas profissionais que buscam novos formatos, experiências sensoriais e soluções mais sustentáveis.
Uma plataforma vegetal com foco em cozinha profissional
O Plantfilme é descrito pela Vinnori como um produto natural, sustentável, de baixo custo e totalmente vegetal, criado para ampliar as possibilidades de uso em preparações que exigem resistência, textura e praticidade. Além do sushi e do temaki, o filme pode ser utilizado em rolinhos, snacks e criações autorais envolvendo culinária oriental, havaiana, vegana e contemporânea.
Um diferencial importante está na proposta de atender também demandas de alimentação inclusiva. Por não conter traços de frutos do mar, o Plantfilme pode ser uma alternativa segura para consumidores com alergias ou dietas restritivas — uma barreira frequente em pratos baseados em ingredientes marinhos.
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Tatiana Lemos destaca que o produto foi pensado para o dia a dia da cozinha profissional, com características voltadas à operação. “O Plantfilme foi desenvolvido pensando na cozinha profissional, com diferenciais técnicos pensados para o cotidiano, ao oferecer diversas possibilidades e ser acessível e de baixo custo”, afirma.
A startup também aponta que o Plantfilme apresenta maior vida útil do que filmes comestíveis tradicionais, com foco em viabilidade para negócios e padronização de uso em ambientes gastronômicos e empreendimentos.
Testes com chefs e validação em restaurantes
Antes de chegar ao mercado, o Plantfilme foi testado em restaurantes e utilizado por chefs, que avaliaram características como sabor, textura e versatilidade, além da viabilidade de substituir o nori em diferentes tipos de preparo. De acordo com a Vinnori, os testes reforçaram o potencial do produto como solução prática — não apenas como curiosidade gastronômica, mas como ingrediente com aplicação real em cozinhas profissionais.
A iniciativa contou com apoio institucional para acelerar o desenvolvimento. A startup recebeu suporte da FAPEMA e da FINEP, por meio do edital Tecnova III, voltado a impulsionar negócios inovadores. Com essa estrutura, a Vinnori pretende expandir a pesquisa e ampliar seu portfólio, buscando novas alternativas alimentícias a partir de ingredientes encontrados na biodiversidade brasileira.
“Nós queremos desenvolver alimentos sustentáveis, criativos e acessíveis. O Plantfilme é só o começo”, enfatiza Tatiana Lemos.
Biodiversidade brasileira como motor de inovação
Mais do que substituir um insumo importado, a proposta da Vinnori aponta para um movimento maior: usar biodiversidade como plataforma de inovação alimentar, conectando tradição, ciência e tecnologia. A escolha da vinagreira, PANC valorizada na cultura regional, amplia esse vínculo entre produto, território e sustentabilidade.
Ao transformar uma planta local em um filme alimentício aplicável a mercados globalizados, como o de gastronomia oriental e havaiana, o Plantfilme se posiciona também como uma solução exportável: feito no Brasil, para o mundo, com benefícios diretos de competitividade — menor custo, menor impacto ambiental e novas possibilidades de cores, aromas e sabores em pratos contemporâneos.




