Iniciativa liderada pela Sustainable Markets Initiative quer avançar em um modelo de conservação com governança e monitoramento científico da pesca
A Sustainable Markets Initiative (SMI) lançou a Ocean Stewardship Initiative, um esforço internacional que busca viabilizar a criação de uma das maiores Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) do planeta na Antártica, com apoio direto da indústria de ômega-3 produzido a partir de krill. A proposta pretende estabelecer uma AMP que cubra 70% da Península Antártica, ampliando a proteção do ecossistema e fortalecendo mecanismos modernos de gestão pesqueira.
Fundada pelo Rei Charles III (à época Príncipe de Gales), a SMI articula o setor privado como alavanca para tirar do papel compromissos ambientais que já existem no campo diplomático. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Aker BioMarine e sua subsidiária Aker Qrill Company, com consultoria do Marine Stewardship Council (MSC), e se apoia nas AMPs propostas por Argentina e Chile dentro da Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR) — órgão internacional voltado à proteção da vida marinha antártica.
Se aprovado, o plano cria as maiores zonas de não-pesca do mundo, combinando proteção da biodiversidade com um modelo de controle baseado em ciência para a pesca de krill, defendem os envolvidos. A lógica é clara: manter grandes áreas totalmente fechadas à atividade, enquanto as regiões abertas seriam operadas sob um regime de monitoramento contínuo do ecossistema, o que permitiria decisões mais precisas sobre limites e expansão de pesca sustentável.
No pacote, a proposta prevê um aumento de 15% na proteção da área total do Oceano Antártico e a ampliação da proteção de mamíferos antárticos em quase 500 mil km² do Oceano Austral.
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Ao mesmo tempo, o tema ocorre em um ponto sensível: o krill é um insumo estratégico para a indústria de nutrição. O organismo é fonte de EPA e DHA (ômega-3), além de astaxantina e fosfolipídios, usados em suplementos e ingredientes nutricionais para humanos e pets. Mas também é um componente central da cadeia alimentar antártica, sustentando espécies como baleias-de-barbatana, pinguins, lobos-marinhos e peixes.
O papel do setor privado
A Aker BioMarine afirma que, caso a iniciativa avance na CCAMLR, poderá contribuir para a meta global de proteger 30% dos oceanos até 2030 — um objetivo ainda distante: hoje, apenas 2,8% dos oceanos estão protegidos.
“O setor privado tem um papel decisivo na formação da economia oceânica”, afirma Jennifer Jordan-Saifi, CEO da SMI. “Os governos definem as regras, mas a implementação depende de capital, empresas e cadeias de suprimentos caminhando na mesma direção, com uma mentalidade sustentável como padrão”.
Segundo ela, o objetivo é transformar o apoio empresarial ao desenho de AMPs e à gestão da pesca de krill em um modelo replicável, capaz de inspirar outras regiões do planeta.
A iniciativa também nasce em um contexto de maior instabilidade geopolítica — que, na visão dos proponentes, exige que a indústria participe mais ativamente da transição para sistemas de pesca mais regulados e sustentáveis.
“Para as empresas de pesca, a questão não é mais se as AMPs vão ou não acontecer”, afirma Matts Johansen, CEO da Aker BioMarine e presidente da Aker Qrill Company. “A verdadeira questão é se o setor vai optar por se engajar de forma construtiva e fazer parte da solução, ou se vai permanecer à margem enquanto as regras são definidas sem a sua participação”.




