quinta-feira, 19/02/2026
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Aditivo de algas marinhas promete reduzir emissões de metano na pecuária

Suplemento desenvolvido pela Symbrosia usa cultivo proprietário de algas vermelhas para cortar emissões entéricas do gado e avança rumo à escala comercial

 

Reduzir as emissões de metano da pecuária sem alterar a rotina do produtor é um dos grandes desafios da agenda climática global. Uma das soluções mais promissoras vem do oceano. A Symbrosia, startup sediada no Havaí, está avançando na comercialização do SeaGraze, um suplemento alimentar à base de algas marinhas capaz de reduzir significativamente o metano emitido por ruminantes durante a digestão.

O produto é formulado a partir da alga vermelha Asparagopsis, conhecida por conter compostos naturais que inibem a atividade dos microrganismos metanogênicos no rúmen dos animais. Ao interferir diretamente nesse processo biológico, o SeaGraze reduz a formação de metano sem comprometer o desempenho produtivo do gado — e, em alguns casos, com ganhos de eficiência alimentar.

A principal inovação da Symbrosia está no método de cultivo da alga. A empresa desenvolveu um sistema proprietário em duas etapas, que começa em fotobiorreatores e termina em tanques abertos de grande escala. Esse modelo permite maior controle de qualidade, estabilidade do ingrediente ativo e, sobretudo, redução de custos — um dos principais gargalos para a adoção em larga escala de aditivos redutores de metano.

 

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O SeaGraze é comercializado em versões oleosa e seca, ambas produzidas com técnicas de secagem de baixo consumo energético. A proposta é oferecer um produto nutricionalmente funcional, com perfil bioativo estável e adequado à suplementação diária, sem recorrer a soluções sintéticas ou de liberação concentrada.

No meio desse avanço tecnológico, a empresa anunciou uma rodada Série A-1 de US$ 5,8 milhões, que permitirá ampliar a capacidade produtiva e acelerar a infraestrutura necessária para atender milhares de animais. A Symbrosia já opera testes comerciais com confinamentos nos Estados Unidos e tem contratos de fornecimento que somam centenas de milhares de cabeças de gado, refletindo a crescente demanda por soluções práticas de descarbonização da pecuária.

Do ponto de vista regulatório, o caminho também avança. A Symbrosia trabalha com o FDA para enquadrar o SeaGraze no mesmo precedente regulatório de outros aditivos redutores de metano já aprovados nos Estados Unidos. Na União Europeia, o produto já pode ser comercializado, enquanto processos regulatórios estão em curso no Japão e em fase inicial de testes no Brasil.

A discussão sobre quem paga a conta da redução de metano — produtor, indústria ou consumidor — ainda está aberta. No entanto, a empresa afirma que o SeaGraze já encontra mercado independentemente da monetização via créditos de carbono. Segundo a Symbrosia, muitos produtores veem valor direto no produto, seja pela eficiência produtiva, seja pelo posicionamento ambiental, sem a necessidade de aderir a mercados complexos de compensação.

Em um cenário em que a pecuária responde por parcela relevante das emissões globais de metano, soluções baseadas em biologia marinha ganham protagonismo. Ao combinar inovação em cultivo, viabilidade econômica e impacto climático mensurável, a Symbrosia aposta que as algas podem deixar de ser apenas um insumo experimental e se tornar parte estrutural da transição para uma produção animal de baixo carbono.

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