quinta-feira, 19/02/2026
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Estudo indica que dietas mais saudáveis podem emitir menos gases de efeito estufa

Pesquisa publicada na Nature Food mostra que escolhas alimentares de menor custo tendem a ter menor pegada climática, desafiando a ideia de que comer bem é mais caro

 

Uma alimentação mais saudável não apenas pode ser mais barata, como também gerar menos emissões de gases de efeito estufa (GEE). Essa é a principal conclusão de um estudo global liderado por pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, que analisou padrões alimentares, custos e impactos climáticos em 171 países.

Publicado na revista Nature Food, o trabalho questiona a percepção amplamente difundida de que dietas saudáveis são financeiramente inacessíveis. Segundo os autores, dentro de cada grupo alimentar, as opções mais baratas tendem, em média, a apresentar menores emissões associadas à sua produção.

Os dados mostram que, em 2021, uma dieta típica gerava cerca de 2,44 kg de CO₂ equivalente por dia, com custo médio de US$ 9,96. Já uma dieta saudável planejada para minimizar emissões produziria apenas 0,67 kg de CO₂ equivalente, custando US$ 6,95 por dia. Quando o foco é exclusivamente a redução de custos, uma dieta saudável poderia chegar a US$ 3,68 diários, com emissões de 1,65 kg de CO₂ equivalente.

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam que reduzir o consumo de alimentos de origem animal e de alimentos básicos ricos em amido é um dos caminhos mais consistentes para diminuir simultaneamente custos e impactos ambientais.

Preço como sinal de sustentabilidade

O estudo parte de um princípio simples: enquanto o consumidor não consegue “ver” as emissões associadas a cada alimento, o preço está sempre visível. “Dentro de cada grupo alimentar, as opções mais baratas geralmente causam menos emissões”, afirma William Masters, professor da Escola Friedman de Nutrição da Universidade Tufts e autor sênior da pesquisa.

A equipe utilizou como base a Cesta Básica de Alimentação Saudável, referência adotada por agências da ONU e governos para monitoramento nutricional. A partir dela, foram modeladas cinco dietas por país, combinando variáveis de custo, disponibilidade alimentar, consumo médio e emissões globais associadas a cada item.

 

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De forma geral, a escolha de alternativas mais baratas dentro de cada grupo alimentar mostrou-se uma estratégia eficaz para reduzir a pegada de carbono da dieta, sem comprometer a adequação nutricional.

Onde custo e emissões nem sempre caminham juntos

Apesar da tendência geral, o estudo identifica exceções importantes, especialmente em alimentos de origem animal e em alimentos básicos ricos em amido. O leite, por exemplo, é a opção mais barata entre produtos de origem animal e tem emissões menores do que a carne bovina, mas ainda apresenta impacto climático relevante. Já peixes como sardinha e cavala possuem emissões mais baixas, embora com custo intermediário por caloria.

Entre os alimentos básicos, o arroz costuma ser a opção mais barata em muitos países, mas suas emissões são ligeiramente superiores às do trigo ou do milho, devido à liberação de metano nos arrozais. “Há situações em que reduzir emissões exige investimento adicional”, explica Masters. “Mas, no supermercado, a frugalidade costuma ser um bom guia para a sustentabilidade.”

Implicações para políticas públicas e saúde global

Os autores destacam que o estudo pode ajudar consumidores e formuladores de políticas a alinhar objetivos de saúde pública, acessibilidade alimentar e ação climática. Em um cenário de crescimento populacional e aumento da insegurança alimentar, governos e organismos internacionais buscam soluções que reduzam as emissões do sistema alimentar sem elevar custos para a população.

Segundo estimativas recentes da Dieta da Saúde Planetária, a produção de alimentos responde por cerca de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa. A adoção em larga escala de padrões alimentares mais saudáveis poderia não apenas reduzir essas emissões em mais da metade, como também prevenir milhões de mortes prematuras.

O estudo reforça uma mensagem central: escolhas alimentares mais saudáveis podem ser positivas simultaneamente para o bolso, para a saúde e para o planeta.

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