quinta-feira, 19/03/2026
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Tecnologia transforma “água de batata” em farinha e reduz poluição na indústria de alimentos

Pesquisa da Unicamp recupera amido presente em efluentes do processamento da batata e cria ingrediente funcional para pães, bolos e molhos

 

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode transformar um dos resíduos mais comuns da indústria de alimentos em um novo ingrediente para formulações alimentícias. O processo recupera o amido presente na chamada “água de batata” — líquido gerado durante o processamento industrial do tubérculo — e o converte em uma farinha rica em fibras com potencial de aplicação em produtos como pães, bolos e molhos.

Além de criar um novo insumo alimentar, a tecnologia ajuda a resolver um problema ambiental relevante. Durante o processamento industrial da batata, grandes volumes de água entram em contato com o alimento e acabam carregando amido e outros compostos orgânicos. Quando esse efluente é descartado sem tratamento adequado, ele pode comprometer a qualidade de rios e lençóis freáticos.

Segundo o pesquisador Eric Keven Silva, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, esse resíduo possui elevada carga orgânica. Ao ser despejado em corpos d’água, ele reduz os níveis de oxigênio dissolvido, afetando o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e contribuindo para processos de poluição.

Recuperação de amido transforma resíduo em ingrediente alimentar

Para enfrentar esse desafio, pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos desenvolveram um processo capaz de recuperar o amido dissolvido na água utilizada durante o processamento da batata.

O material recuperado passa por etapas de processamento que permitem sua transformação em uma farinha rica em fibras, que pode ser incorporada a diferentes produtos alimentícios.

 

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De acordo com a doutoranda Gabriela Milanezzi, responsável pelo estudo, o ingrediente apresenta propriedades funcionais que ampliam suas possibilidades de uso na indústria.

A farinha pode atuar tanto como base para formulações de panificação quanto como espessante natural para molhos e outros produtos processados, contribuindo para a criação de alimentos com maior valor nutricional.

Economia circular na indústria de alimentos

O objetivo da pesquisa é permitir que a própria indústria incorpore o reaproveitamento desse resíduo em suas linhas de produção. Ao recuperar o amido presente no efluente, as empresas podem reduzir o impacto ambiental do processamento da batata e, ao mesmo tempo, gerar um novo produto com valor comercial.

Essa abordagem segue princípios de economia circular na indústria alimentícia, em que resíduos passam a ser tratados como matérias-primas para novos produtos.

Além de diminuir a carga poluidora dos efluentes industriais, a tecnologia contribui para reduzir desperdícios de recursos e melhorar a eficiência do processamento de alimentos.

Batata e sustentabilidade no sistema alimentar

A relevância da solução está diretamente ligada à escala de produção da batata. O tubérculo é um dos alimentos mais consumidos no mundo e sua industrialização exige grandes volumes de água em etapas como lavagem, corte e processamento.

Como consequência, a chamada “água de batata” se torna um subproduto inevitável da cadeia produtiva. Transformar esse efluente em ingrediente alimentar abre novas possibilidades para tornar a indústria mais sustentável.

Potencial de aplicação na indústria

Os pesquisadores destacam que a tecnologia pode ser incorporada diretamente nas unidades industriais que processam batata. Com isso, o reaproveitamento do amido pode ocorrer dentro do próprio fluxo produtivo, evitando o descarte do efluente e criando novas oportunidades de uso para o material recuperado.

A solução reforça uma tendência crescente na indústria de alimentos: o desenvolvimento de tecnologias capazes de transformar resíduos agroindustriais em ingredientes funcionais, reduzindo impactos ambientais e ampliando o valor agregado das cadeias produtivas.

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