terça-feira, 10/02/2026
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Sabores adstringentes ativam o cérebro e produzem efeitos semelhantes aos do exercício, aponta estudo

Pesquisa em animais indica que a sensação sensorial de alimentos ricos em polifenóis pode estimular o sistema nervoso mesmo sem absorção na corrente sanguínea

 

 

Sabores adstringentes presentes em alimentos ricos em flavonóis podem ativar diretamente o cérebro e desencadear respostas fisiológicas semelhantes às provocadas por exercícios leves, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Shibaura, no Japão.

Os experimentos, realizados com camundongos, mostraram que a ingestão de flavonóis aumentou a atividade motora, a curiosidade, o aprendizado e a memória dos animais — mesmo sem que os compostos fossem detectados em níveis significativos na corrente sanguínea. Para os pesquisadores, isso indica que os efeitos podem ocorrer por meio da estimulação sensorial no eixo intestino-cérebro, e não apenas via absorção metabólica.

“Os flavonóis apresentam um sabor adstringente. Nossa hipótese é que esse sabor funcione como um estímulo sensorial capaz de transmitir sinais diretamente ao sistema nervoso central”, afirmou o líder do estudo, Yasuyuki Fujii. Segundo ele, esses sinais seriam conduzidos por nervos sensoriais até o cérebro, ativando posteriormente respostas fisiológicas periféricas por meio do sistema nervoso simpático.

Os flavonóis são um tipo de polifenol naturalmente presente em alimentos como cacau e frutas vermelhas. Eles são responsáveis pela sensação de boca seca ou áspera — característica da adstringência — e já foram associados a benefícios cardiovasculares. No entanto, sua baixa biodisponibilidade sempre levantou dúvidas sobre como poderiam exercer efeitos sistêmicos relevantes.

 

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O estudo, publicado na revista Current Research in Food Science, buscou justamente esclarecer esse mecanismo. Camundongos de 10 semanas receberam doses de 25 mg/kg ou 50 mg/kg de flavonóis por peso corporal, enquanto o grupo de controle recebeu apenas água destilada.

Os animais que ingeriram flavonóis apresentaram aumento nos níveis de dopamina, de seu precursor levodopa, de norepinefrina e do metabólito normetanefrina. Esses neurotransmissores estão ligados à regulação da motivação, atenção, estado de alerta e resposta ao estresse, e os efeitos foram observados logo após a administração.

Além disso, os pesquisadores registraram maior ativação do sistema noradrenérgico, responsável por respostas rápidas a estímulos e situações de emergência. Também foram identificados níveis elevados de catecolaminas na urina, hormônios associados ao estresse, e aumento de atividade no núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN), região cerebral envolvida na regulação do estresse.

Segundo a equipe, os flavonóis também estimularam fatores moleculares ligados à resposta neuroendócrina, incluindo a produção do hormônio liberador de corticotropina. Em conjunto, esses resultados indicam que a ingestão desses compostos pode desencadear respostas fisiológicas comparáveis às observadas durante o exercício físico.

“As respostas ao estresse induzidas pelos flavonóis neste estudo são semelhantes às desencadeadas pelo exercício. Assim, a ingestão moderada desses compostos, apesar de sua baixa biodisponibilidade, pode contribuir para a saúde e a qualidade de vida”, afirmou Fujii.

Os autores destacam que as descobertas abrem caminho para novas aplicações em nutrição sensorial e no desenvolvimento de alimentos funcionais de próxima geração, embora ressaltem que estudos clínicos em humanos ainda são necessários para confirmar os efeitos observados em animais.

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