sexta-feira, 20/03/2026
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Tecnologia transforma fibras vegetais em alternativa ao açúcar e atrai interesse de grandes varejistas

Startup austríaca desenvolve ingrediente que substitui açúcar por fibras funcionais, mantendo sabor e processabilidade industrial

 

Uma tecnologia desenvolvida pela startup austríaca Neoh pode abrir um novo caminho para reduzir o consumo de açúcar na indústria de alimentos. A empresa criou o Zero+, um ingrediente baseado em fibras vegetais que reproduz o sabor e o comportamento tecnológico do açúcar, mas com menor impacto glicêmico e maior teor de fibras.

A solução foi desenvolvida para resolver um dos principais desafios da reformulação de alimentos: substituir o açúcar sem comprometer sabor, textura ou desempenho industrial. Segundo a empresa, o ingrediente foi projetado para funcionar em larga escala em produtos processados, mantendo características sensoriais semelhantes às do açúcar tradicional.

Fibras vegetais como substituto funcional do açúcar

O Zero+ é composto principalmente por fibras de agave, chicória e milho, combinadas com polidextrose e pequenas quantidades de eritritol, sucralose e acessulfame K, além de aromatizantes naturais.

A proposta é substituir completamente o açúcar refinado por fibra alimentar funcional, mantendo o mesmo nível de doçura e propriedades tecnológicas durante o processamento industrial.

 

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Além de reduzir calorias, o ingrediente apresenta baixo índice glicêmico. Um estudo clínico conduzido pela Universidade Médica de Viena em 2022 indicou que o produto provoca impacto significativamente menor nos níveis de glicose, insulina e peptídeo C no sangue em comparação com o açúcar convencional.

Outro diferencial está no teor de fibras. Enquanto 100 g de açúcar contêm cerca de 400 calorias e nenhuma fibra, a mesma quantidade de Zero+ possui 160 calorias e cerca de 70 g de fibras, além de apenas 4 g de açúcares naturais.

Impacto metabólico e saúde intestinal

O alto teor de fibras também pode contribuir para a saúde metabólica e intestinal. Alimentos ricos em fibras estimulam a produção de GLP-1, hormônio associado ao aumento da saciedade e à regulação da glicose no sangue.

Esse efeito tem chamado a atenção da indústria de alimentos, especialmente diante da crescente demanda por produtos com baixo teor de açúcar e maior valor funcional, impulsionada por consumidores preocupados com saúde metabólica e pelo uso crescente de medicamentos para perda de peso baseados em GLP-1.

Desafio tecnológico da substituição do açúcar

Substituir açúcar em alimentos é um desafio complexo. Além de adoçar, o açúcar desempenha funções estruturais importantes, influenciando cor, textura, viscosidade, conservação e estabilidade dos produtos.

Segundo a Neoh, o Zero+ foi desenvolvido para reproduzir esse comportamento tecnológico durante o processamento, permitindo sua aplicação em diferentes categorias sem exigir reformulações profundas nas linhas de produção.

“A tecnologia permite substituir completamente o açúcar mantendo qualidade sensorial e desempenho industrial”, afirma Fabio Ziemssen, sócio da Zintinus, um dos investidores da empresa.

Aplicações na indústria de alimentos

A tecnologia já vem sendo aplicada em diferentes categorias alimentícias. Inicialmente, a Neoh lançou produtos próprios — como barras de chocolate, wafers e biscoitos — para validar o ingrediente no mercado.

Nos últimos anos, a empresa passou a operar também em modelo B2B, fornecendo o Zero+ para fabricantes e varejistas.

O ingrediente já aparece em produtos como:

  • chocolates
  • sorvetes
  • bebidas aromatizadas
  • donuts e produtos de panificação
  • cereais matinais
  • pudins
  • snacks

Entre os parceiros estão empresas como Dunkin’ Austria, Nöm, Anker, Stamag e Biogena, além da rede de supermercados Billa, pertencente ao grupo Rewe.

Expansão e investimento estratégico

Para ampliar o uso da tecnologia em diferentes categorias, a Neoh recebeu um novo aporte de capital liderado pelo grupo varejista alemão Rewe, em parceria com os fundos Zintinus e Teseo Capital.

Segundo Clément Tischer, chefe de tecnologia de alimentos do Rewe Group, soluções como o Zero+ só terão impacto real na redução de açúcar se conseguirem funcionar em escala industrial e em categorias de alto volume.

A startup registrou receita de €14 milhões em 2025 e projeta superar €20 milhões em 2026, à medida que amplia a adoção do ingrediente por fabricantes e varejistas.

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