quinta-feira, 05/02/2026
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Tecnologia usa pulsos elétricos para controlar ervas daninhas e pode reduzir dependência de herbicidas

Startup australiana desenvolve sistema baseado em eletrotransportação irreversível para aplicação agrícola em larga escala

 

 

Uma tecnologia está começando a chamar atenção no campo. A startup australiana Azaneo está desenvolvendo um sistema de controle de ervas daninhas baseado em eletrotransportação irreversível (IRE), técnica que utiliza pulsos elétricos de alta voltagem para destruir células vegetais sem o uso de herbicidas químicos.

A proposta é oferecer uma alternativa viável tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Segundo o fundador e CEO da empresa, Liam Hescock, a meta é competir diretamente com os herbicidas tradicionais em custo por hectare tratado.

Em entrevista ao AgFunderNews, ele afirmou que a redução do uso de químicos é um objetivo central, mas que a adoção em larga escala depende de produtividade e retorno financeiro ao produtor.

Como a tecnologia funciona

A eletrotransportação é conhecida na biologia molecular por criar poros microscópicos nas membranas celulares por meio de pulsos elétricos. Em aplicações médicas, pode ser usada para inserir substâncias nas células. No caso da Azaneo, o processo é irreversível: os poros não se fecham, levando à morte rápida das células vegetais.

A mesma lógica é empregada na medicina para a ablação de tumores. No campo, a empresa adapta esse princípio para o controle direcionado de plantas invasoras em diferentes culturas.

O sistema foi projetado como um implemento modular acoplado a tratores, permitindo ajustar a escala conforme o porte da propriedade rural.

Método não térmico reduz consumo de energia

Um dos diferenciais da tecnologia é o caráter não térmico. Diferentemente de sistemas elétricos que eliminam plantas por meio do calor, a solução da Azaneo causa a morte celular sem elevar significativamente a temperatura do tecido vegetal.

De acordo com a empresa, testes indicaram variações mínimas de temperatura após a aplicação. Para comparação, a morte térmica de tecidos vegetais geralmente exige temperaturas entre 60 °C e 70 °C.

A abordagem não térmica pode representar menor consumo de energia e menor impacto indireto sobre o solo e organismos adjacentes.

 

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Outro ponto destacado pela empresa é a velocidade de operação. Os equipamentos vêm sendo testados entre 4 e 6 km/h, faixa próxima à utilizada na aplicação de herbicidas convencionais.

Diferentemente da pulverização química, o sistema elétrico não depende das condições de vento, o que pode ampliar a janela operacional. Segundo Hescock, as máquinas também podem trabalhar por longos períodos, inclusive de forma contínua, reduzindo limitações relacionadas à mão de obra.

Com base em modelagens internas, a empresa estima que a produtividade possa chegar ao dobro da obtida com sistemas tradicionais de aplicação de herbicidas, embora os dados ainda estejam em fase de validação em campo.

Testes e expansão internacional

O primeiro modelo comercial está sendo desenvolvido para uso em hortas. Nos próximos meses, a empresa planeja realizar testes em sua própria fazenda na Austrália e, posteriormente, em propriedades parceiras no país e no exterior.

A Azaneo também busca parcerias para testes nos Estados Unidos e na Europa. Segundo a empresa, já há interesse tanto de pequenas propriedades quanto de grandes produtores.

O modelo modular é apontado como fator de acessibilidade, permitindo que agricultores adquiram apenas parte do sistema. A proposta é se posicionar como alternativa de menor custo em relação a soluções de capina de precisão baseadas em robótica avançada, como as desenvolvidas pela Carbon Robotics.

Ainda em fase de validação comercial, a tecnologia se insere em um movimento mais amplo de busca por ferramentas que combinem redução de insumos químicos, eficiência operacional e viabilidade econômica no manejo de plantas daninhas.

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