Aquisição fortalece capacidades de medição e amplia escala de contratos de ERW em um momento de maior exigência por créditos de carbono duráveis
A Terradot, empresa americana de remoção de carbono por intemperismo de rochas aprimorado (ERW, na sigla em inglês) com operações no Brasil, adquiriu os ativos da Eion, startup dos Estados Unidos especializada em medição e verificação do CO₂ removido por essa tecnologia em áreas agrícolas.
Com a transação, as duas empresas passam a reunir contratos que somam mais de 400 mil toneladas de remoção de carbono, firmados com compradores como Microsoft, Google e a iniciativa Frontier, configurando um dos maiores portfólios de ERW já contratados no mercado voluntário.
Segundo a Terradot, a aquisição permitirá acelerar a transição do setor de projetos-piloto para implantações em escala comercial. “A ampliação da remoção sustentável de carbono exige integridade científica, rigor nas medições e dados robustos do mundo real”, afirmou o diretor científico da empresa, Scott Fendorf, em entrevista ao portal AgfunderNews. “Ao incorporar as capacidades operacionais e técnicas da Eion, fortalecemos nossa base de MRV e aceleramos o caminho para entregas em larga escala.”
A Eion havia anunciado recentemente a obtenção de seus primeiros créditos de remoção de carbono certificados pela Puro.earth, referentes a parte de sua operação realizada em 2023. A empresa desenvolveu uma abordagem patenteada para monitorar e quantificar o CO₂ removido por meio da aplicação de minerais em solos agrícolas — um dos principais desafios técnicos do ERW.
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Para a CEO da Eion, Ana Pavlovic Hans, o movimento reflete as dificuldades de crescimento em um mercado ainda em formação. “Embora seja possível sobreviver, é muito difícil escalar em um ambiente competitivo”, afirmou. Segundo ela, o desenvolvimento de projetos de remoção de carbono exige capital intensivo, competências técnicas específicas e estruturas de financiamento complexas, que vêm sendo construídas de forma fragmentada no setor.
“Quanto mais eu pensava sobre como serão as plataformas do futuro para terra e carbono, mais a consolidação fazia sentido. Esse processo abre caminho para um mercado mais maduro e eficiente”, disse Pavlovic Hans.
Como parte do acordo, a Terradot irá absorver a equipe principal da Eion, seus conjuntos de dados de implantação, capacidades operacionais e portfólio de patentes, além de integrar à sua plataforma os estudos publicados de MRV desenvolvidos pela startup.
O negócio ocorre em um momento de maior escrutínio sobre a qualidade e a durabilidade dos créditos de remoção de carbono. Embora alternativas de menor custo, como reflorestamento e sequestro de carbono no solo, ainda dominem parte da demanda, compradores corporativos vêm demonstrando maior interesse por soluções consideradas mais permanentes, como ERW, biochar e captura direta de carbono do ar.
Dados públicos acompanhados pela CDR.fyi indicam que contratos plurianuais de ERW passaram a ser comumente medidos em dezenas de milhares de toneladas, com algumas compras superando a marca de 100 mil toneladas. Ao mesmo tempo, financiadores têm priorizado plataformas capazes de demonstrar monitoramento, relato e verificação robustos, além de operações replicáveis em diferentes regiões e condições climáticas.
Apesar do avanço, o custo segue sendo um dos principais entraves à expansão do ERW. Para o CFO da Terradot, Rob Parker, a consolidação melhora o acesso a capital. “Um portfólio maior e diversificado, apoiado por histórico operacional e MRV de alta integridade, melhora a viabilidade financeira e amplia o acesso a financiamento de longo prazo para o desenvolvimento e execução de projetos”, afirmou.




