segunda-feira, 02/03/2026
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Startup neozelandesa aposta em horticultura celular para produzir frutas e nozes em laboratório

Forever Harvest desenvolve plataforma baseada em cultivo de células vegetais para reduzir riscos climáticos e garantir fornecimento estável de ingredientes

 

Diante da crescente volatilidade na produção agrícola causada por eventos climáticos extremos, pragas e mudanças nos padrões de chuva, a startup neozelandesa Forever Harvest está desenvolvendo uma alternativa baseada em horticultura celular para produzir frutas e nozes em laboratório.

A proposta é cultivar células vegetais específicas em biorreatores, eliminando a dependência de safras sazonais e de condições climáticas imprevisíveis. Em vez de plantar árvores ou arbustos inteiros, a empresa cultiva diretamente células comestíveis de frutas e nozes, preservando aroma, sabor, textura e compostos funcionais.

A iniciativa surge em um contexto de pressão crescente sobre cadeias globais de suprimentos. Projeções indicam que, até 2080, grande parte das áreas atualmente aptas ao cultivo de banana na América Latina poderá se tornar inadequada devido ao clima. Eventos recentes também afetaram a produção de frutas vermelhas no Norte da África, castanha-do-pará na Amazônia e pinhões no Oriente Médio, reforçando a vulnerabilidade do sistema alimentar.

Plataforma baseada em células vegetais inteiras

A tecnologia utilizada pela Forever Harvest tem origem em pesquisas conduzidas pela estatal Plant & Food Research, hoje integrada ao Bioeconomy Science Institute. A plataforma permite cultivar células específicas de mirtilos, maçãs, cerejas, feijoas, pêssegos, nectarinas, uvas e outras culturas em ambiente controlado.

Segundo a cofundadora Jan Grant, o diferencial está na produção de células vegetais inteiras, com sua matriz natural de compostos bioativos. “Nosso objetivo é cultivar células comestíveis completas, preservando aromas, cores e sabores característicos. Isso requer menos terra e água, elimina a sazonalidade e dispensa pesticidas ou fertilizantes”, afirmou.

 

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A abordagem também permite maior precisão funcional. É possível selecionar células com propriedades específicas — inclusive características presentes apenas em determinadas partes da planta — e reproduzi-las de forma consistente para fabricantes de alimentos, bebidas e aromas.

A horticultura celular não é um conceito novo: experimentos com cultura de tecidos vegetais remontam à década de 1950. No entanto, a Forever Harvest busca transformar essa base científica em uma plataforma comercial escalável, integrada às cadeias globais de ingredientes.

Parcerias com a indústria

A startup já iniciou conversas com multinacionais de alimentos e estabeleceu colaboração com uma marca global para explorar aplicações comerciais. O foco está em oferecer ingredientes resilientes às oscilações climáticas e adequados a formulações industriais.

De acordo com o cofundador Mick Riley, a meta é construir um modelo que se conecte diretamente às cadeias de suprimentos existentes, ampliando previsibilidade e segurança de fornecimento.

Para acelerar o desenvolvimento da plataforma, a Forever Harvest captou NZ$ 1,2 milhão (cerca de US$ 715 mil) em rodada pré-seed liderada pela Sprout Agritech, com apoio do Bioeconomy Science Institute e do programa Deep Tech Incubator da Callaghan Innovation.

Os recursos serão destinados à expansão do portfólio de linhagens celulares, avanço dos projetos-piloto e fortalecimento das parcerias comerciais, à medida que a empresa busca posicionar a horticultura celular como alternativa estratégica para segurança alimentar em um cenário de crescente instabilidade climática.

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