Consumidores continuam sensíveis ao preço, mas passam a reconhecer qualidade, ingredientes mais saudáveis e valor nutricional nas marcas dos varejistas.
A pressão sobre o orçamento das famílias continua sendo um dos principais fatores que influenciam as decisões de compra no varejo alimentar. Mas uma nova pesquisa mostra que, embora o preço ainda seja a principal porta de entrada para as marcas próprias, elas deixaram de ser percebidas apenas como uma alternativa econômica e passaram a competir também em atributos como qualidade, saudabilidade e inovação.
O levantamento Private Brand Intelligence Report (PBIR), divulgado pela Daymon, revela que 59% dos consumidores norte-americanos afirmam ter dificuldade para fechar as contas no fim do mês e, por isso, dizem ser mais fiéis ao preço do que a marcas ou varejistas específicos. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a percepção sobre os produtos de marca própria evoluiu significativamente: 96% dos entrevistados consideram que eles oferecem valor igual ou superior às marcas tradicionais, enquanto 88% avaliam sua qualidade no mesmo patamar ou acima dos produtos líderes.
Mais do que um reflexo da inflação ou da busca por economia, os resultados sugerem uma transformação na forma como os consumidores enxergam as marcas desenvolvidas pelos próprios varejistas.
O preço atrai, mas não explica sozinho a fidelização
Durante muitos anos, marcas próprias foram associadas quase exclusivamente a preços mais baixos. Hoje, esse diferencial continua relevante, mas já não explica sozinho seu crescimento.
Segundo o estudo, 98% dos consumidores afirmam que os preços das marcas próprias são iguais ou melhores do que os das marcas nacionais. No entanto, outros atributos passaram a ganhar peso na decisão de compra, como percepção de qualidade, confiança e adequação ao estilo de vida.
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Essa mudança ajuda a explicar outro dado importante da pesquisa: 71% dos entrevistados afirmam escolher seu supermercado preferido em função da oferta de marcas próprias.
Na prática, o varejo deixa de competir apenas por localização ou promoções e passa a utilizar seus próprios produtos como ferramenta de fidelização.
Saudabilidade torna-se um novo diferencial competitivo
Um dos resultados mais relevantes do levantamento é o avanço das marcas próprias em uma agenda que, historicamente, era liderada pelas grandes indústrias: a saudabilidade.
Entre os consumidores entrevistados, 93% afirmam que as marcas próprias oferecem produtos tão bons quanto ou melhores que os das marcas tradicionais quando procuram alimentos alinhados ao seu estilo de vida. Outros 87% acreditam que esses produtos apresentam ingredientes iguais ou superiores aos encontrados nas marcas líderes.
Além disso, 37% disseram que alegações nutricionais nas embalagens aumentam sua disposição para experimentar novos produtos de marca própria.
Os dados indicam que atributos como ingredientes mais naturais, melhor perfil nutricional e benefícios funcionais deixaram de ser diferenciais exclusivos das grandes empresas e passaram a integrar também a estratégia dos varejistas.
Esse movimento acompanha uma tendência mais ampla da indústria de alimentos, marcada pela reformulação de produtos, redução de aditivos artificiais, expansão do conceito de clean label e desenvolvimento de alimentos com maior teor de proteínas, fibras e outros ingredientes funcionais.
Consumidores também buscam inovação nas marcas dos supermercados
A pesquisa mostra que os consumidores estão cada vez mais dispostos a experimentar marcas próprias em categorias nas quais a inovação costuma ser decisiva.
Os maiores índices de interesse aparecem em snacks salgados e alimentos congelados, ambos citados por 59% dos entrevistados, seguidos pelos laticínios (54%), alimentos para o café da manhã (49%), produtos frescos (46%), ingredientes culinários (43%), refeições prontas refrigeradas (40%) e produtos de panificação (39%).
Esse comportamento demonstra que as marcas próprias deixaram de ocupar apenas categorias básicas e passaram a disputar espaço em segmentos de maior valor agregado, onde qualidade, conveniência e inovação exercem influência direta sobre a decisão de compra.
O varejo amplia seu protagonismo na inovação
A consolidação das marcas próprias também altera a dinâmica competitiva da indústria.
Tradicionalmente, o desenvolvimento de novos produtos era liderado pelos fabricantes, enquanto os supermercados atuavam principalmente como canais de distribuição.
Hoje, esse papel começa a mudar.
Ao investir em produtos próprios com posicionamento nutricional, ingredientes diferenciados e propostas de valor alinhadas às novas demandas do consumidor, os varejistas passam a disputar diretamente atributos que antes eram exclusivos das grandes marcas.
Essa transformação fortalece o papel estratégico das marcas próprias e amplia seu potencial como ferramenta de diferenciação competitiva.
Uma mudança que pressiona toda a indústria
O avanço das marcas próprias mostra que o consumidor continua altamente sensível ao preço, mas não aceita mais abrir mão da qualidade para economizar.
Ao combinar preços competitivos com atributos ligados à saudabilidade, qualidade percebida e inovação, os varejistas elevam o nível da concorrência em praticamente todas as categorias de alimentos.
Nesse cenário, grandes fabricantes passam a enfrentar um desafio crescente: justificar seus diferenciais não apenas por meio da força de suas marcas, mas também pela capacidade de entregar inovação, valor nutricional e experiências que o consumidor considere superiores às alternativas disponíveis nas gôndolas dos supermercados.
Mais do que ampliar participação de mercado, as marcas próprias sinalizam uma mudança estrutural na indústria de alimentos. O consumidor continua chegando até elas motivado pelo preço, mas permanece porque passou a enxergá-las como produtos capazes de competir em qualidade, saudabilidade e confiança com as marcas mais tradicionais do mercado.
Saiba mais sobre o assunto:
O que são marcas próprias?
São produtos desenvolvidos e comercializados pelos próprios varejistas, vendidos sob marcas exclusivas das redes de supermercados.
Por que as marcas próprias estão crescendo?
Além dos preços competitivos, consumidores passaram a reconhecer qualidade, ingredientes mais saudáveis e melhor relação custo-benefício nesses produtos.
Marcas próprias ainda competem apenas por preço?
Não. A pesquisa mostra que atributos como qualidade, saudabilidade e valor nutricional passaram a influenciar fortemente a decisão de compra.
Em quais categorias as marcas próprias mais crescem?
O estudo aponta maior interesse dos consumidores por snacks, alimentos congelados, laticínios, produtos para café da manhã e refeições prontas.
Como esse movimento afeta a indústria de alimentos?
O fortalecimento das marcas próprias aumenta a concorrência e pressiona fabricantes tradicionais a investir continuamente em inovação, reformulação de produtos e diferenciação.




