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PPWR pressiona indústria a redesenhar embalagens assépticas e sua reciclagem

Regulação europeia exigirá embalagens projetadas para reciclagem e, depois, recicladas efetivamente em escala, pressionando fabricantes a rever materiais e sistemas de fim de vida

 

 

A entrada em aplicação do novo regulamento europeu de embalagens está colocando diante da indústria um problema que vai além de substituir um material por outro. Para atender às novas exigências de reciclabilidade, fabricantes precisarão considerar ao mesmo tempo como a embalagem é projetada e o que efetivamente acontece com ela depois do uso.

Essa combinação aparece com clareza nas bolsas assépticas industriais usadas para armazenar e transportar produtos como tomate processado, polpas, sucos e molhos. Essas embalagens podem reunir diferentes materiais para entregar propriedades de barreira e resistência necessárias à conservação dos alimentos, mas a mesma estrutura que garante desempenho durante o uso pode dificultar sua entrada nos atuais fluxos de reciclagem.

O Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR), novo regulamento da União Europeia para embalagens e resíduos de embalagens, torna essa tensão mais urgente. A partir de 2030, conforme o cronograma previsto no regulamento, embalagens colocadas no mercado europeu passarão a ter de atender a critérios de design for recycling. Em uma etapa posterior, a partir de 2035, a avaliação passa a considerar também se a categoria de embalagem é efetivamente reciclada em escala.

A diferença é central: uma embalagem pode ser tecnicamente adequada a um processo de reciclagem e, ainda assim, não contar com coleta, triagem, volume ou infraestrutura suficientes para que isso aconteça na prática.

O desafio das estruturas multimateriais

Bolsas assépticas são usadas em cadeias que precisam conservar grandes volumes de alimentos durante armazenamento e transporte. Estruturas comerciais podem combinar polietileno com materiais como PET metalizado, alumínio ou poliamida para entregar propriedades de barreira e resistência e permitir longos períodos de conservação.

Essas combinações precisam funcionar como um sistema: proteger o alimento, resistir ao manuseio e ao transporte e manter o produto estável durante sua vida útil.

 

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O desafio é que componentes incorporados para atingir esse desempenho podem reduzir a compatibilidade da embalagem com os fluxos de reciclagem do material predominante.

Por isso, melhorar a reciclabilidade não significa simplesmente eliminar uma camada. Qualquer nova estrutura precisa manter o desempenho exigido pela cadeia de alimentos ao mesmo tempo em que se torna mais compatível com o fim de vida previsto pela regulação.

Indústria começa a construir uma rota de fim de vida

É nesse contexto que fabricantes e usuários de bolsas assépticas iniciaram uma iniciativa de três anos para desenvolver uma rota específica de coleta e reciclagem desses materiais.

O programa, coordenado pela Aseptic Bag Manufacturers Association (ABMA) e previsto para 2026 a 2028, reúne fabricantes de embalagens e empresas da cadeia de alimentos, entre elas Aran Group, Goglio Group, Hansin, Kagome Foods Portugal, Kraft Heinz, SIG Group, Smurfit Westrock e Tesseraux Spezialverpackungen.

Os planos incluem qualificar tecnologias capazes de processar bolsas multicamadas, estruturar um sistema de responsabilidade estendida do produtor em articulação com organizações nacionais, desenvolver orientações de design for recycling para essas embalagens e avaliar a produção de reciclados de maior qualidade.

O projeto também pretende explorar possíveis aplicações do material reciclado em contato com alimentos, mas isso permanece como objetivo de desenvolvimento, não como resultado demonstrado.

A proposta ganha relevância porque essas embalagens circulam principalmente em cadeias industriais e de foodservice. Em vez de depender apenas dos fluxos convencionais de resíduos plásticos, a iniciativa busca criar uma rota mais controlada para reunir material relativamente homogêneo e encaminhá-lo à reciclagem.

2030 é apenas a primeira etapa

A iniciativa, porém, ainda não demonstra que essas embalagens atenderão ao PPWR.

Os critérios detalhados para avaliar o design para reciclagem ainda dependem de atos da Comissão Europeia. Por isso, não é correto concluir hoje que determinadas bolsas estarão automaticamente proibidas a partir de 2030.

Também permanece por demonstrar se os sistemas de coleta e reciclagem em desenvolvimento alcançarão escala suficiente para cumprir as exigências posteriores.

Essa é a diferença prática entre os dois marcos. Em 2030, a pressão recai sobre como a embalagem foi concebida para ser reciclada. A partir de 2035, entra também a capacidade de coletá-la, separá-la e reciclá-la efetivamente em escala.

Para as bolsas assépticas, portanto, a adaptação ao PPWR não depende apenas de mudanças na estrutura da embalagem. Ela exige também que fabricantes, empresas de alimentos, sistemas de responsabilidade do produtor e recicladores consigam construir uma rota de fim de vida que hoje ainda está em desenvolvimento.

A iniciativa em curso é um dos movimentos da indústria nessa direção, mas seus resultados, tanto no redesenho das estruturas quanto na reciclagem em escala, ainda precisam ser demonstrados.

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