quarta-feira, 04/03/2026
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Luz ultravioleta reduz antracnose em goiabas sem uso de fungicidas, aponta estudo

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros controla principal doença pós-colheita da fruta e prolonga sua vida útil durante o armazenamento

 

 

Pesquisadores brasileiros demonstraram que a aplicação de luz ultravioleta do tipo C (UVC) com frequência modulada pode controlar a antracnose em goiabas, principal doença pós-colheita da fruta, sem a necessidade de fungicidas químicos. O estudo foi publicado na revista científica Horticulturae.

A tecnologia utiliza um equipamento desenvolvido por Washington Melo, da Embrapa Instrumentação, capaz de modular a frequência da radiação UVC. Os testes indicaram que o método reduz significativamente a incidência e a severidade da doença sem causar danos à casca dos frutos, além de retardar o amadurecimento e preservar a qualidade durante o armazenamento.

A antracnose, causada por fungos do complexo Colletotrichum gloeosporioides, é considerada a principal doença pós-colheita da goiaba. As lesões escuras que se formam na casca evoluem rapidamente para podridões, comprometendo aparência e textura da fruta e gerando perdas relevantes ao longo da cadeia produtiva. Atualmente, o controle depende majoritariamente do uso de fungicidas, prática que enfrenta restrições regulatórias e crescente resistência por parte de consumidores e mercados importadores.

Nos experimentos laboratoriais, os pesquisadores expuseram o fungo a diferentes frequências de radiação UVC. Segundo Itala Silva, doutoranda da Universidade Federal da Bahia, a modulação da frequência mostrou impacto direto no patógeno, reduzindo tanto o crescimento micelial quanto a germinação dos esporos responsáveis pela disseminação da doença.

A frequência próxima de 30 hertz apresentou o melhor desempenho no controle do fungo. “A radiação interfere em processos celulares essenciais, como a integridade do DNA e a atividade metabólica, tornando o patógeno menos capaz de infectar o fruto”, explicou a pesquisadora.

Segundo a equipe, a modulação permite aumentar a eficiência da radiação sem elevar a dose total aplicada, reduzindo o risco de danos à fruta e ampliando a segurança do tratamento.

Testes em frutos indicam maior vida útil

Além dos testes em laboratório, os pesquisadores aplicaram a tecnologia em goiabas recém-colhidas e acompanharam o desenvolvimento da doença e a qualidade dos frutos durante o armazenamento.

As goiabas tratadas apresentaram menor incidência e severidade da antracnose em comparação com os frutos não tratados. O tratamento também preservou características importantes de qualidade pós-colheita, como firmeza, coloração da casca e taxa respiratória.

 

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Segundo Daniel Terao, da Embrapa Meio Ambiente, os resultados indicam que o tratamento pode aumentar o tempo de prateleira da fruta. “A manutenção da firmeza e da coloração sugere que a tecnologia pode reduzir perdas durante transporte e armazenamento e ampliar a vida útil comercial”, afirmou.

Durante até sete dias de armazenamento, os frutos tratados não apresentaram sintomas da doença nem danos visuais provocados pela radiação.

Alternativa sustentável para o pós-colheita

O estudo destaca o potencial de tratamentos físicos como alternativa sustentável ao uso de fungicidas no manejo pós-colheita. Diferentemente de produtos químicos, a radiação UVC não deixa resíduos, não gera efluentes e não contribui para o desenvolvimento de resistência em patógenos.

Embora o uso de UVC convencional já tenha sido investigado em frutas e hortaliças, a modulação da frequência surge como um avanço relevante, permitindo maior eficiência com menor intensidade de luz e menor risco de danos à epiderme do fruto.

A equipe ressalta que ainda serão necessários testes em escala comercial para ajustar parâmetros como tempo de exposição, distância da fonte de radiação e integração do equipamento às linhas de beneficiamento em packing houses.

Os pesquisadores também apontam que a tecnologia pode ser aplicada a outras frutas suscetíveis a doenças pós-colheita, ampliando seu potencial de impacto na redução de perdas alimentares e no fortalecimento de cadeias agrícolas mais sustentáveis.

O estudo completo de Itala Silva (UFBA), Daniel Terao (Embrapa Meio Ambiente), Adriane Silva (Unicamp), Washington Melo (Embrapa Instrumentação), Juliana Fracarolli (Unicamp), Aline Maia (Embrapa Meio Ambiente), Ederlan Ferreira (UFBA) e Aline Biasoto (Embrapa Meio Ambiente) pode ser acessado neste link.

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