quinta-feira, 12/03/2026
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Startup cria biorreator de US$ 3 mil para produzir cacau cultivado em laboratório

Tecnologia baseada em cultura de células vegetais promete reduzir drasticamente os custos de produção de ingredientes de cacau e acelerar a adoção do chocolate cultivado

 

 

A startup americana California Cultured deu um novo passo na produção de cacau cultivado em laboratório ao concluir com sucesso sua primeira operação em um biorreator reutilizável de plástico rígido com capacidade de 2.000 litros. A tecnologia, baseada em cultura de células vegetais, foi desenvolvida para reduzir drasticamente os custos de produção de ingredientes de cacau ricos em flavonóis e pode alterar a economia da produção de chocolate cultivado.

Segundo a empresa, o novo sistema de biorreatores modulares permite diminuir significativamente tanto os custos de capital quanto os custos operacionais, tornando a produção em escala mais viável para o setor de ingredientes alimentares.

“Quando os produtos chegarem ao mercado ainda este ano e as pessoas entenderem os custos e a qualidade obtida, isso deve mudar a percepção sobre o potencial real da cultura de células vegetais”, afirmou Steve Stearns, chefe de estratégia e desenvolvimento de negócios da California Cultured, em entrevista ao AgFunderNews.

Produção modular para reduzir custos

Tradicionalmente, empresas que cultivam células vegetais utilizam grandes tanques de fermentação em aço inoxidável (equipamentos caros e com elevados custos operacionais) ou sacos plásticos descartáveis, que são pouco adequados para produção industrial.

A abordagem da California Cultured segue um caminho diferente. A startup desenvolveu biorreatores modulares feitos de plástico rígido reutilizável, projetados para operar continuamente e que podem ser reutilizados milhares de vezes antes de serem substituídos.

Cada unidade custa cerca de US$ 3 mil, valor muito inferior aos biorreatores tradicionais de aço inoxidável com capacidade semelhante, que podem custar entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão.

O sistema também incorpora um método próprio de esterilização a vapor, que simplifica o processo de limpeza e reduz significativamente a necessidade de mão de obra.

Outro diferencial é o modelo de expansão produtiva. Em vez de construir grandes fábricas centralizadas, a empresa aposta em uma arquitetura modular composta por múltiplos biorreatores de menor custo.

“Em vez de escalar verticalmente com tanques gigantes de aço inoxidável, escalamos horizontalmente com muitos reatores acessíveis”, explica Stearns. “Isso reduz drasticamente os requisitos de investimento e torna possível competir com preços de commodities.”

Automação e seleção celular

A tecnologia da California Cultured se baseia em três pilares principais.

O primeiro é o desenvolvimento de linhagens celulares selecionadas para características relevantes para o chocolate, como produção de gordura, precursores de sabor e alto teor de flavonóis.

O segundo é a arquitetura de biorreatores de baixo custo, que permite ampliar a produção com investimento reduzido.

O terceiro pilar é um sistema de automação e controle inteligente, que permite operar um grande número de reatores simultaneamente com baixa necessidade de mão de obra.

Segundo a empresa, a combinação dessas tecnologias cria uma plataforma de produção significativamente diferente da biofabricação tradicional utilizada na indústria farmacêutica.

O que é cacau cultivado por células

A cultura de células vegetais consiste em cultivar células de plantas em biorreatores, em vez de produzir a planta completa em campo. Em condições controladas, essas células podem gerar compostos de alto valor, como polifenóis, flavonóis ou precursores de sabor.

A tecnologia já é utilizada comercialmente para produzir alguns medicamentos, como o Taxol, utilizado no tratamento do câncer de mama. Nos últimos anos, porém, ganhou interesse no setor alimentar e de nutracêuticos, especialmente diante da crescente instabilidade nas cadeias de suprimento de ingredientes botânicos.

 

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No caso do cacau, a técnica pode ajudar a enfrentar desafios estruturais da cadeia global, que sofre pressão crescente de fatores como mudanças climáticas, doenças nas lavouras e volatilidade de produção.

Além disso, a produção em biorreatores permite gerar compostos específicos do cacau com maior concentração e consistência, independentemente de condições agrícolas ou sazonais.

Parcerias com a indústria de chocolate

A California Cultured já firmou acordos com empresas do setor alimentício para testar aplicações comerciais de seus ingredientes.

A gigante de ingredientes Puratos planeja lançar ainda este ano produtos B2B utilizando o cacau rico em flavonóis da startup. A empresa também estabeleceu uma parceria com a Meiji, maior fabricante de chocolates do Japão, para explorar diferentes aplicações em chocolate e produtos derivados.

Com o avanço da produção em escala nos biorreatores de 2.000 litros, a startup aposta que sua tecnologia poderá abrir caminho para uma nova geração de ingredientes de cacau produzidos por biofabricação.

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