sexta-feira, 04/04/2025
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Mercado americano reage com preocupacão às novas tarifas

Setores de alimentos e agricultura alertam para impactos negativos das medidas anunciadas pela administração Trump e pedem revisão das tarifas

 

 

As novas tarifas anunciadas nesta quarta-feira pela administração Trump geraram fortes reações entre empresas e entidades do setor alimentício e agropecuário nos Estados Unidos. Associações e lideranças empresariais classificaram as medidas como “desestabilizadoras”, alertando para os impactos negativos nos custos de produção, empregos e cadeias de suprimentos.

As tarifas incluem uma taxa de 10% sobre todos os países a partir de 5 de abril, além de aumentos diferenciados para nações com as quais os EUA possuem os maiores déficits comerciais, como China (34% adicionais), União Europeia (20%) e Japão (24%). A Casa Branca afirmou que as tarifas permanecerão até que haja redução do déficit comercial e concessões por parte dos parceiros comerciais.

A Consumer Brands Association (CBA) criticou a medida, afirmando que a política comercial precisa reconhecer as empresas que já produzem internamente, mas dependem de ingredientes importados. “Nenhuma tarifa trará de volta insumos essenciais que simplesmente não são produzidos nos EUA”, disse Tom Madrecki, vice-presidente da CBA, alertando que a iniciativa aumentará custos e limitará o acesso a produtos acessíveis.

Jay Timmons, CEO da National Association of Manufacturers, destacou que as tarifas ameaçam investimentos e a competitividade da indústria americana. “Os fabricantes já operam com margens estreitas. Tarifas elevadas podem comprometer cadeias de suprimentos e a capacidade dos EUA de se manterem na liderança industrial global.”

Impacto no setor agropecuário

No setor de alimentos frescos, a International Fresh Produce Association alertou para o impacto sobre frutas e vegetais, que não podem ser cultivados nos EUA durante todo o ano. “A imposição de tarifas apenas eleva os custos e prejudica os consumidores”, afirmou Cathy Burns, CEO da entidade.

 

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A National Restaurant Association também expressou preocupação, ressaltando que restaurantes dependem de um fornecimento estável de ingredientes frescos para atender seus clientes. “Nossos operadores compram produtos locais sempre que possível, mas simplesmente não há volume suficiente produzido internamente para atender à demanda.”

O setor lácteo também se manifestou. Becky Rasdall Vargas, vice-presidente da International Dairy Foods Association, alertou que tarifas prolongadas podem aumentar custos e gerar incertezas para produtores e comunidades rurais.

O Institute for Agriculture and Trade Policy (IATP) relembrou as consequências das guerras comerciais durante o primeiro governo Trump, quando a China reduziu drasticamente a compra de soja americana em resposta a tarifas sobre o aço. “Os mercados perdidos não foram recuperados”, afirmou Sophia Murphy, diretora executiva do IATP. Segundo ela, a diversificação da produção é essencial, mas exige tempo e investimentos que serão comprometidos pelas novas barreiras comerciais.

Apelos por reconsideração

Setores varejista e industrial também pressionam a Casa Branca a reconsiderar as tarifas antes que “danos duradouros” sejam causados à economia americana. A Retail Industry Leaders Association destacou que as tarifas resultarão em custos mais altos para consumidores e empresas. “Essas medidas não protegem a inovação americana. Apenas oneram famílias e empresas.”

Diante da forte reação do setor produtivo, analistas apontam que o governo pode enfrentar pressão crescente para rever as tarifas ou estabelecer isenções a determinados produtos. Por enquanto, a expectativa é de mais volatilidade nos mercados e incerteza entre investidores e fabricantes americanos.

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