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Carne cultivada: novo método gera até 19 vezes mais proteína por volume em testes

Ever After Foods e Roslin Technologies relatam resultado experimental com células de porco em sistema que utiliza suporte vegetal comestível, comparado ao cultivo em tanque agitado

 

Um novo método de produção de carne cultivada gerou até 19 vezes mais proteína por volume de cultivo do que um sistema convencional utilizado como referência nos testes. O resultado foi anunciado em 13 de outubro pela Ever After Foods e pela Roslin Technologies, que utilizaram células de porco para avaliar uma tecnologia desenvolvida para aumentar a quantidade de material alimentar obtida no processo.

A diferença está na maneira como as células são cultivadas. No método utilizado para comparação, elas permanecem dispersas em um líquido mantido em movimento dentro de um equipamento chamado biorreator. Já na tecnologia testada pela Ever After Foods, as células crescem sobre uma estrutura vegetal comestível, formando tecido diretamente sobre esse suporte. Segundo as empresas, essa mudança permitiu obter uma quantidade maior de proteína no mesmo volume de cultivo.

Nos testes, o novo sistema atingiu 40 gramas de proteína cultivada por litro, de acordo com as empresas. A medida é importante porque indica quanto material proteico pode ser obtido em determinado volume de cultivo, um dos aspectos relevantes para desenvolver processos de fabricação de carne cultivada.

Mais células e maior produção de proteína

Os resultados divulgados apontam dois fatores associados à diferença de produção. O primeiro foi a maior concentração de células: o sistema testado ultrapassou 150 milhões de células por mililitro, quantidade cinco vezes superior à registrada no método utilizado como referência.

O segundo fator foi a quantidade de proteína produzida por célula. Segundo as empresas, a quantidade de proteína e biomassa seca produzida por célula foi aproximadamente quatro vezes maior do que no sistema comparativo.

A biomassa seca corresponde ao material obtido após a retirada da água, permitindo avaliar a quantidade de matéria celular produzida sem considerar seu conteúdo de umidade. Nos testes, foram registrados 57 gramas de biomassa seca por litro e 326 gramas de biomassa úmida por litro, esta última 11 vezes maior que no tanque agitado.

 

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A tecnologia, chamada Edible Packed Bed (EPB), utiliza células suínas pluripotentes fornecidas pela Roslin Technologies. Essas células têm capacidade de originar diferentes tipos celulares e foram cultivadas sobre um suporte vegetal comestível chamado PlantriX, desenvolvido pela Ever After Foods.

Segundo as empresas, esse suporte representou menos de 2% do peso do produto final. Elas também informaram que os cálculos de proteína e biomassa excluíram o material do suporte e do meio líquido utilizado no cultivo, considerando apenas o conteúdo produzido pelas células.

O que os resultados ainda não demonstra

Embora a diferença anunciada seja expressiva, o comunicado das empresas não informa o volume dos ensaios, sua duração nem o número de repetições realizadas. Também não detalha suficientemente as condições da comparação com o tanque agitado, incluindo o meio utilizado, o tempo de cultivo e os métodos de medição.

Essas informações são importantes para avaliar se os resultados podem ser reproduzidos e até que ponto os dois sistemas foram testados em condições equivalentes.

Os números divulgados mostram a quantidade de proteína obtida por volume, mas não permitem determinar quanto seria produzido em determinado intervalo de tempo, como um dia. Essa distinção é relevante para avaliar o desempenho de um processo produtivo.

Também não foram apresentados dados suficientes para comprovar a viabilidade econômica da tecnologia ou seu desempenho em escala industrial. A comparação anunciada se refere aos sistemas utilizados nos testes e não estabelece superioridade em relação a todos os métodos de produção de carne cultivada.

A Ever After Foods e a Roslin Technologies informaram que continuam desenvolvendo a plataforma e trabalhando em sua ampliação de escala.

O resultado aponta uma possibilidade de aumentar a quantidade de proteína obtida em um mesmo volume de cultivo celular, um dos desafios para ampliar a produção de carne cultivada. A reprodução desse desempenho em escala industrial permanece uma questão em aberto.

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