**Sibelle de Andrade Silva
Missão do Foodtech hub latam na Holanda · 13 a 18 de setembro de 2026
A Foodvalley foi a referência que inspirou a criação do Foodtech hub latam, e começou há cerca de 25 anos como um nome, cunhado por um cientista, sem conceito desenvolvido por trás. Durante a missão, pude ver que deu certo porque as pessoas construíram significados próprios sobre ele. E o modelo foi reconstruído pelo menos três vezes ao longo do caminho.
Quem nos contou isso foi Roger Van Hoesel, liderença na região que esteve à frente da ação por mais de quinze anos e hoje trabalha com o Ecosystem Navigators, fundado em 2020 juntamente com o Chris Karman, transformando em método a experiência de construir e navegar ecossistemas de inovação.
Roger Van Hoesel fez questão de nos advertir contra a idealização do modelo holandês: cada país deve acreditar nas próprias forças e aprender com os outros, e não copiar. Eles enfrentam escassez de terra, envelhecimento do produtor, baixa confiança na política pública e uma transição proteica com resistência social real. E o país, por admissão dos próprios anfitriões, não é particularmente bom em escalar empresas (imagina se fossem!). A lição, portanto, não é apenas o modelo. Até mesmo porque esse cenário se assemalha ao Brasil, mas precisamos focar no método, na reunião de competências públicas e privadas em um objetivo comum.
E o que nós do Brasil levamos para a Holanda nessa missão não é demanda, é ativo: a exemplo do Tropical Food Innovation Lab, idealizado pelo Foodtech hub latam, com US$ 3,5 milhões investidos ao lado de Ital, Givaudan, Bühler e Cargill; um novo centro de biotecnologia em construção; uma base de milhares de startups mapeadas no Radar Agtech Brasil; uma indústria de alimentos que responde por cerca de 10% do PIB; e biodiversidade amazônica com cadeias de ingredientes ainda por estruturar, sobre a qual há interesse dos holandeses em produtos florestais não madeireiros. Houve, do lado deles, interesse explícito em proteínas tropicais, inclusive porque a proteína de ervilha usada hoje no Brasil é importada.
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Daí decorrem agendas concretas que inspiram nosso futuro no agro nacional:
- conexão entre plantas-piloto, para que biomoléculas tropicais cheguem à escala industrial;
- cooperação em propriedade intelectual e modelos de negócios;
- repartição de benefícios sobre biodiversidade, pactuada na largada;
- ciência de autenticidade para dar musculatura às nossas indicações geográficas;
- convergência regulatória em novos alimentos;
- e um mecanismo brasileiro de soft landing inspirado nas ROMs (porque atrair empresas holandesas de ingredientes para o Brasil vale tanto quanto instalar brasileiras lá fora).
Ecossistemas de inovação multi-institucionais e público-privados não são ornamento do desenvolvimento: são a infraestrutura dele. São o que permite que ciência vire ativo protegido, que ativo vire produto, que produto vire exportação e que exportação vire renda distribuída no território. E são, cada vez mais, instrumentos de relação internacional: plataformas transfronteiriças pelas quais tecnologia, capital e empresas circulam nos dois sentidos.
A missão foi uma lição e tanto, reuniu um grupo ímpar, de competências complementares e genuinamente brasileiras: Jenifer Aline Schütze Setti, Sidnei Emilio Bordignon Jr, Olinda Canhoto, Lucas Arruda, Betânia Lunelli, Alessandro Menezes.
Obrigada Paulo Silveira, pela oportunidade de nos reunir nessa missão e principalmente por integrar setor público e privado naquela que é uma das missões maiores de todos nós: inovar onde temos raízes para gerar resultados para todo o mundo.
A frase que nos recebeu na porta da Unilever Foods Innovation Centre ‘Hive’ resume tudo o que vimos, dispensa explicações e representa o que certamente ainda faremos, juntos, pelo nosso Brasil, enquanto ecossistema de inovação tropical que somos.





