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Espanha investe € 40 milhões em planta de proteínas vegetais para reduzir dependência de importações

Aporte na Elian apoiará expansão de capacidade em Barcelona em meio à estratégia europeia para ampliar produção e processamento de proteínas

 

A estatal espanhola COFIDES investirá € 40 milhões na Elian, empresa agroindustrial sediada em Barcelona, para acelerar a expansão de sua produção de proteínas vegetais. Com a operação, a COFIDES passa a ser acionista minoritária da companhia por meio do Fundo de Coinvestimento (FOCO), enquanto a controladora Viserion International participa como coinvestidora.

O investimento será direcionado ao projeto industrial da Elian no Porto de Barcelona, que já acumula mais de € 300 milhões em aportes desde 2021. A expansão deverá ser concluída no início de 2028 e acrescentará mais de 100 mil toneladas anuais de capacidade para derivados proteicos destinados à alimentação humana e animal. A unidade opera atualmente com cerca de 770 mil toneladas por ano.

Mais do que ampliar uma fábrica, a operação se insere em uma discussão mais ampla sobre autonomia proteica e resiliência da cadeia agroalimentar europeia. Em julho de 2026, a Comissão Europeia publicou seu Protein Action Plan, com medidas para reduzir dependências externas, ampliar a produção regional de proteínas vegetais e fortalecer a infraestrutura de armazenamento e processamento.

Planta de Barcelona ganhará nova escal

A Elian foi fundada em Barcelona em 2021 e hoje pertence à Viserion International, grupo que participa da operação como coinvestidor.

Após adquirir em 2024 uma unidade de processamento de soja, a empresa anunciou uma segunda fase de expansão industrial. Com o projeto, a planta deverá chegar a 90 mil metros quadrados e ampliar sua produção de derivados proteicos para diferentes aplicações.

A instalação produz ingredientes à base de soja destinados às indústrias de alimentos e de rações e, segundo a COFIDES, é uma das três infraestruturas integradas desse tipo existentes na Europa. A estatal espanhola apresenta a planta como um ativo capaz de contribuir para reduzir a dependência de ingredientes hoje importados de mercados como Estados Unidos, China e América do Sul.

A Elian faturou € 400 milhões em 2025 e possui cerca de 90 funcionários.

UE tenta reduzir dependência de proteínas importadas

O investimento ocorre pouco depois da publicação do novo plano europeu para proteínas.

A União Europeia produz cerca de 67 milhões de toneladas de proteína vegetal por ano, enquanto utiliza aproximadamente 80 milhões de toneladas em alimentação humana, animal e aplicações industriais. Apesar dessa base produtiva, o bloco mantém forte dependência externa em materiais com alto teor de proteína.

Segundo a Comissão Europeia, 74% dos ingredientes proteicos de alto teor utilizados na alimentação animal são importados. A soja ocupa posição central nessa dependência, especialmente na forma de grãos e farelo destinados às rações.

 

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O Protein Action Plan estabelece como objetivo elevar de 25,8% para 35% até 2035 a participação de proteínas provenientes de oleaginosas e culturas proteicas produzidas dentro da UE e utilizadas na alimentação animal.

A meta não se aplica a todo o consumo europeu de proteínas, mas integra uma estratégia mais ampla voltada à redução de vulnerabilidades na cadeia.

Processamento vira parte da estratégia proteica

O plano europeu não trata apenas do aumento das áreas cultivadas. Entre as medidas previstas estão incentivos à produção de leguminosas e soja, investimentos em pesquisa e melhoramento de culturas e apoio à infraestrutura necessária para armazenar e processar essas matérias-primas.

Esse último ponto ajuda a explicar a relevância da expansão da Elian.

Aumentar a produção agrícola dentro da Europa não elimina, por si só, a dependência externa se o bloco não tiver capacidade suficiente para transformar as culturas produzidas regionalmente em ingredientes destinados à indústria.

Nesse sentido, as plantas de processamento passam a ocupar uma posição estratégica entre a produção agrícola e a indústria. São elas que transformam culturas como soja e outras fontes vegetais em ingredientes destinados a fabricantes de alimentos e rações. É justamente nessa etapa da cadeia que a Elian pretende ampliar sua presença.

Miguel Tiana, diretor-geral da COFIDES, afirmou que o projeto tem capacidade para contribuir para o fortalecimento das cadeias europeias de abastecimento em um segmento considerado estratégico.

Elian tenta aproximar cultivo e processamento

A companhia também está incentivando o cultivo de soja não transgênica na Catalunha e em Aragão, com a meta de atingir 3 mil hectares ao longo de 2026.

O movimento acrescenta uma segunda dimensão ao projeto.

Em vez de depender exclusivamente de matérias-primas provenientes de regiões mais distantes, a estratégia busca aproximar parte da produção agrícola da infraestrutura de processamento instalada na própria cadeia europeia.

Ainda assim, 3 mil hectares representam uma escala limitada diante das centenas de milhares de toneladas processadas anualmente pela planta. Por isso, o cultivo regional deve ser entendido como parte de uma estratégia de diversificação de origens, e não como substituição imediata das importações.

A própria Comissão Europeia trabalha com uma abordagem semelhante: ampliar a produção interna ao mesmo tempo em que busca diversificar fornecedores externos, reconhecendo que maior autonomia não significa necessariamente autossuficiência completa.

Investimento público entra na infraestrutura agroalimentar

Os € 40 milhões serão aportados por meio do FOCO, fundo administrado pela COFIDES e criado no âmbito do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência da Espanha.

O mecanismo opera em regime de coinvestimento e direciona recursos para projetos considerados estratégicos para a transformação e competitividade da economia espanhola, incluindo a agroalimentação inovadora.

No caso da Elian, a participação pública não representa controle da empresa. A COFIDES passa a ocupar uma posição minoritária, enquanto a Viserion International permanece como controladora e coinvestidora da operação.

A expansão já havia recebido também € 2,25 milhões da ACCIÓ, agência de competitividade empresarial do governo da Catalunha.

Autonomia proteica depende de mais do que cultivo

A entrada de capital público na Elian mostra que a discussão europeia sobre proteínas começa a alcançar também a infraestrutura necessária para transformar a produção agrícola em ingredientes.

O Protein Action Plan combina aumento da oferta doméstica, pesquisa, inovação, processamento, maior integração entre agricultores e outros agentes da cadeia e diversificação das importações.

Dentro dessa estratégia, a expansão da Elian representa um caso concreto de aumento de capacidade industrial.

Ela não é suficiente para assegurar, sozinha, a autonomia proteica europeia. A dependência externa continua elevada e envolve volumes muito superiores aos que uma única instalação pode absorver.

Mas o projeto mostra uma mudança relevante na forma como a questão começa a ser tratada: reduzir dependências não significa apenas produzir mais soja, leguminosas ou outras culturas proteicas. Também exige capacidade para processar essas matérias-primas e transformá-las em ingredientes utilizáveis pela indústria.

É nesse ponto que o investimento de € 40 milhões ganha significado para a cadeia de alimentos. O capital público espanhol está sendo direcionado não apenas à expansão de uma empresa, mas a uma etapa industrial que a própria estratégia europeia identifica como necessária para ampliar a resiliência do sistema de proteínas.

 

Saiba mais sobre o assunto:

Por que a Espanha investiu € 40 milhões na Elian?
O investimento será utilizado para ampliar a capacidade de processamento de proteínas vegetais da Elian em Barcelona e integra uma estratégia de fortalecimento da infraestrutura agroalimentar.

Quanto a planta da Elian poderá produzir após a expansão?
O projeto deverá acrescentar mais de 100 mil toneladas anuais de capacidade para derivados proteicos destinados à alimentação humana e animal.

Por que a União Europeia quer ampliar sua produção de proteínas vegetais?
A estratégia europeia busca reduzir a dependência de proteínas importadas, fortalecer cadeias regionais e ampliar a capacidade de produção e processamento dentro do bloco.

A Europa pretende deixar de importar proteínas?
Não necessariamente. A estratégia combina aumento da produção interna, expansão da capacidade de processamento e diversificação de fornecedores externos, em vez de pressupor autossuficiência completa.

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