Recursos financiarão planta de demonstração na França e preparação para capacidade de 10 mil toneladas anuais
A MAASH, startup de biotecnologia sediada em Bruxelas, captou € 12,15 milhões em uma combinação de investimento em participação societária e financiamento público para avançar da fase de desenvolvimento para a implantação industrial de sua micoproteína destinada à indústria de alimentos.
Os recursos serão usados para colocar em operação uma planta de demonstração de 12 m³ em Carling-Saint-Avold, na França, e preparar a empresa para uma etapa posterior de expansão, com objetivo de alcançar capacidade anual de 10 mil toneladas.
O pacote inclui € 5,85 milhões em capital próprio, € 4,3 milhões em apoio da Bpifrance por meio do programa Première Usine e um empréstimo de € 2 milhões também concedido pela Bpifrance, com suporte do plano France 2030.
A empresa afirma que a nova fase marca a transição de projetos de desenvolvimento para a implementação técnica e comercial em maior escala.
Financiamento apoia passagem para a etapa industrial
Fundada em 2021 por Frédéric Van Gansberghe e Gaspard Gilbert, a MAASH desenvolve micoproteína por fermentação para uso como ingrediente B2B em diferentes aplicações alimentícias.
Dois anos após adquirir antigas instalações da Metabolic Explorer em Carling-Saint-Avold, a companhia começa agora a transformar a infraestrutura em uma plataforma produtiva voltada à demonstração e futura escala industrial.
“A aquisição das antigas instalações da Metex nos proporcionou uma base industrial. Nos últimos dois anos, trabalhamos para transformar essa base em um projeto viável e concreto. Este financiamento marca um passo importante nessa trajetória”, afirma Gaspard Gilbert, cofundador da MAASH.
Segundo o executivo, a nova estrutura permitirá à empresa avançar da preparação para a implementação industrial, com reforço de recursos, parceiros e liderança.
A rodada de equity contou com cinco novos investidores: Ambra Capital, InvestPro, Bpifrance, Amorçage Industriel, Nordzucker e Tereos.
Fermentação é controlada para preservar desempenho do ingrediente
A micoproteína da MAASH é produzida por fermentação, processo no qual a companhia controla parâmetros como temperatura, pH e fornecimento de oxigênio.
Segundo a empresa, esse controle busca otimizar o rendimento do processo sem comprometer características funcionais e sensoriais do ingrediente.
A MAASH comercializa sua micoproteína sob a marca LoCylia™, posicionada como ingrediente para fabricantes de alimentos.
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O desafio industrial está em ampliar o volume de produção mantendo condições de processo consistentes. Por isso, a passagem da escala de desenvolvimento para uma planta de demonstração é uma etapa importante antes da operação em volumes industriais.
A futura unidade de 12 m³ deverá funcionar como ponte entre os testes desenvolvidos até agora e a capacidade pretendida de 10 mil toneladas por ano.
Micoproteína mira produtos híbridos e plant-based
A estratégia comercial da MAASH inclui aplicações em produtos híbridos e formulações vegetarianas e veganas.
Segundo a companhia, a micoproteína pode ser utilizada em produtos que combinem diferentes fontes proteicas, incluindo formulações nas quais o teor de carne seja reduzido entre 10% e 30%.
Essa possibilidade amplia o campo de aplicação do ingrediente para além da substituição integral da proteína animal.
Em produtos híbridos, a micoproteína pode entrar como um dos componentes da formulação, enquanto em opções vegetarianas e veganas pode desempenhar papel mais central na estrutura do alimento.
A empresa afirma trabalhar em colaboração com fabricantes para incorporar o ingrediente a diferentes produtos e adaptar sua aplicação às características de cada formulação.
Nova CEO assume durante fase de scale-up
A MAASH também anunciou a nomeação de Samah Garringer como CEO, com início previsto para setembro de 2026.
A executiva possui mais de 25 anos de experiência nos setores de alimentos, ingredientes e nutrição e já ocupou cargos na DSM, no Grupo Avril e na ENOUGH Foods, empresa também ligada ao desenvolvimento de micoproteínas.
“Estou muito entusiasmada em me juntar à MAASH neste momento decisivo. Juntamente com a equipe e nossos novos parceiros, vamos concretizar o projeto pré-industrial, acelerar o lançamento comercial e construir uma plataforma resiliente e com custos competitivos para levar ao mercado, em escala, uma micoproteína nutritiva e sustentável”, afirma Garringer.
As características de competitividade de custo, sustentabilidade e desempenho nutricional citadas pela executiva representam objetivos e posicionamentos apresentados pela companhia e dependerão da evolução do projeto em escala industrial.
Com a mudança, Gaspard Gilbert passará a atuar como diretor comercial, responsável por relações comerciais e parcerias estratégicas, além de assumir interinamente a função de diretor financeiro.
Planta de demonstração será a próxima etapa
Para Frédéric Van Gansberghe, cofundador e presidente do conselho, a combinação entre experiência em fermentação industrial e os novos parceiros deverá acelerar a expansão técnica e comercial da empresa.
A próxima etapa será a implantação da planta de demonstração na França.
Ela terá papel central na validação do processo em maior volume antes que a MAASH avance para a capacidade industrial planejada.
A meta de 10 mil toneladas anuais, portanto, ainda representa uma etapa futura do projeto.
O financiamento de € 12,15 milhões não marca a chegada da micoproteína da MAASH à escala industrial plena, mas o início da transição entre desenvolvimento, demonstração e futura produção em volume comercial.
É nessa passagem que a empresa pretende transformar uma tecnologia de fermentação e um ingrediente B2B em uma plataforma industrial capaz de atender fabricantes de alimentos em escala maior.
Saiba mais sobre o assunto:
O que é a micoproteína desenvolvida pela MAASH?
A MAASH produz por fermentação uma micoproteína comercializada como LoCylia™, destinada ao uso como ingrediente B2B em produtos alimentícios.
Para que será usado o financiamento de € 12,15 milhões?
Os recursos serão utilizados para colocar em operação uma planta de demonstração de 12 m³ na França e preparar uma futura expansão da capacidade produtiva.
Qual é a capacidade de produção planejada pela MAASH?
A empresa pretende avançar futuramente para uma capacidade industrial de 10 mil toneladas de micoproteína por ano. A meta ainda representa uma etapa posterior do projeto.
Como a micoproteína da MAASH pode ser utilizada em alimentos?
Segundo a empresa, o ingrediente pode ser aplicado em produtos vegetarianos e veganos e também em formulações híbridas, nas quais pode reduzir entre 10% e 30% o teor de carne.




