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Newcastle em SC: três focos ampliam vigilância e medidas sanitárias avançam

Primeiro estabelecimento está em vazio sanitário; testes negativos permitiram liberar aves de outras granjas para abate comercial

 

 

A doença de Newcastle passou de um para três focos confirmados no oeste de Santa Catarina entre 18 e 27 de outubro. As ocorrências, identificadas em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, apresentam diferentes estágios de contenção: enquanto o primeiro estabelecimento já está em vazio sanitário, as medidas de saneamento avançam no segundo e seguem em andamento no terceiro. A resposta incluiu a ampliação da vigilância e a liberação de aves de outras propriedades para abate após resultados laboratoriais negativos.

As ações são conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A emergência zoossanitária, declarada por 60 dias pela Portaria MAPA nº 962/2026, abrange Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.

Três focos em diferentes estágios de contenção

O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma propriedade comercial de Nova Itaberaba com aproximadamente 6 mil perus de corte. O estabelecimento foi interditado, com suspensão da movimentação de aves, e passou pelos procedimentos de despovoamento sanitário, limpeza e desinfecção.

 

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Segundo a atualização do MAPA de 27 de outubro, essas medidas haviam sido concluídas e a propriedade encontrava-se em vazio sanitário, período em que o estabelecimento permanece sem aves após o saneamento, antes de eventual retomada da criação conforme as exigências sanitárias aplicáveis.

Em Coronel Freitas, o segundo foco foi confirmado em 24 de outubro, em uma granja comercial com 36.800 perus de corte, segundo a Cidasc. Até 27 de outubro, o despovoamento sanitário e a destinação das aves haviam sido concluídos, enquanto os trabalhos de limpeza e desinfecção permaneciam em andamento.

O terceiro foco foi identificado em Nova Erechim durante as ações de vigilância intensificada. A Cidasc informou, em 27 de outubro, que o estabelecimento abrigava 9.600 aves que não apresentavam sintomas aparentes. Os comunicados oficiais consultados não especificam a espécie ou a categoria produtiva dessas aves.

Na mesma data, o MAPA informou que o Serviço Veterinário Oficial havia iniciado os procedimentos de investigação epidemiológica, vigilância e contenção. Não havia confirmação de conclusão do despovoamento ou das demais etapas sanitárias no terceiro estabelecimento na última atualização oficial localizada.

Os três focos estão situados nos municípios abrangidos pela emergência zoossanitária declarada em outubro. As investigações epidemiológicas integram as ações para identificar a origem das ocorrências e possíveis relações entre os estabelecimentos.

Vigilância ampliada alcança propriedades comerciais e de subsistência

A resposta aos novos focos incluiu mudanças sucessivas nas áreas de vigilância, com inspeções, coletas de amostras e reforço das medidas de biosseguridade.

Em 22 de outubro, a Cidasc informou que o planejamento inicial abrangia 1.680 propriedades rurais, distribuídas em áreas de até três e dez quilômetros do primeiro foco. Após a confirmação da ocorrência em Coronel Freitas, a área de vigilância foi ampliada em 2,5 quilômetros na direção nordeste, incorporando 145 propriedades ao levantamento, das quais oito comerciais.

Com a identificação do terceiro foco, em Nova Erechim, a Cidasc comunicou nova ampliação da vigilância, de aproximadamente 9,5 quilômetros. As atualizações examinadas não apresentaram um total consolidado de propriedades abrangidas após esse último ajuste.

Entre 20 e 26 de outubro, as equipes vistoriaram 684 propriedades, sendo 133 comerciais e 551 de subsistência. O levantamento corresponde às inspeções realizadas no período, enquanto os números anteriores se referem às propriedades inicialmente incluídas no planejamento e à ampliação posterior da área monitorada.

Segundo a comunicação da Cidasc de 27 de outubro, a operação também mantinha quatro barreiras sanitárias ativas, com fiscalização e desinfecção de veículos. As equipes realizavam monitoramento das criações, coleta de amostras e orientação aos produtores.

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. As ações de defesa sanitária buscam identificar ocorrências e reduzir o risco de propagação do agente causador.

Testes negativos permitem liberação de aves para abate

Além das interdições e do saneamento das propriedades afetadas, a vigilância sanitária também permitiu a continuidade de determinadas operações avícolas em estabelecimentos avaliados pelas autoridades.

Em comunicado de 24 de outubro, a Cidasc informou que 15 granjas comerciais da região apresentaram resultados negativos nos testes realizados. Segundo o órgão, aves desses estabelecimentos e de um núcleo vizinho ao segundo foco foram liberadas pelo Serviço Veterinário Oficial para abate comercial regular, após avaliação laboratorial.

A liberação mostra como os resultados da vigilância orientam decisões sobre a movimentação e o destino dos plantéis. Enquanto propriedades com focos confirmados são submetidas às medidas sanitárias de contenção, estabelecimentos com resultados negativos podem receber autorização para determinadas operações, conforme as exigências do Serviço Veterinário Oficial.

A medida comunicada pela Cidasc foi específica para as aves e os estabelecimentos avaliados, sem representar uma liberação geral da produção avícola regional.

Para produtores e frigoríficos, essa diferenciação tem consequências operacionais diretas: as condições de trânsito e encaminhamento das aves ao abate dependem da situação sanitária de cada propriedade e das avaliações realizadas pelas autoridades.

Restrições comerciais variam conforme o país importador

A ocorrência de Newcastle também levou países importadores a estabelecer restrições temporárias a produtos avícolas brasileiros, com abrangências diferentes conforme o destino.

Na relação divulgada pelo MAPA em 21 de outubro, em página atualizada em 27 de outubro, México e Malásia aparecem com suspensões aplicadas a determinadas categorias de produtos provenientes de todo o Brasil. China, Chile e Arábia Saudita adotaram restrições limitadas a produtos originários de Santa Catarina.

As categorias abrangidas variam entre os mercados. No caso da Malásia, por exemplo, a suspensão informada pelo Ministério inclui carne, produtos cárneos e miúdos de aves. Para China e Arábia Saudita, a relação ministerial menciona carne e produtos cárneos de aves provenientes de Santa Catarina.

O Ministério informou que mantém contato com os parceiros comerciais para apresentar dados sobre a ocorrência e as medidas sanitárias adotadas. A documentação consultada não permite quantificar perdas financeiras ou redução efetiva dos embarques decorrentes dos focos.

A evolução da emergência evidencia a importância das avaliações sanitárias para as decisões operacionais na cadeia avícola. Enquanto as equipes ampliam a vigilância e avançam no saneamento das propriedades afetadas, os resultados laboratoriais orientam a liberação de aves de outros estabelecimentos para abate, conforme as condições estabelecidas pelo Serviço Veterinário Oficial.

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